Já está disponível nas plataformas digitais o álbum O Berrante Pantaneiro, disco do músico Milton Guapo em parceria com a Orquestra de Mato Grosso, lançado pela produtora e gravadora Kuarup.

As composições do álbum são de autoria do compositor cacerense Guapo e trazem como “solista” os “berranteiro” Chico do Berrante, que entoa seu instrumento junto com a Orquestra nos movimentos da sinfonia.

O compositor é um pesquisador da cultura mato-grossense, em especial a da Baixada Cuiabana e do Pantanal, e certo dia sentiu uma vibração que mais parecia o eco de um cânone das escalas e modos que ouvia quando criança.

A sinfonia Berrante Pantaneiro apresenta quatro movimentos inspirados em toques característicos do instrumento: Toque de Debandada (primeiro toque da madrugada, estimula a boiada a andar); Toque de Agradecimento (gratidão ao fazendeiro que permitiu a pernoite do gado e peões em suas terras, ou porque comprou o gado e está levando para outro lugar, ou ainda, um toque tradicional para o gado não emagrecer); Toque Aviso de Perigo (alerta os peões e distrai a
boiada para o perigo eminente de onça, cobra ou enxame de abelhas); Toque Pasto, Sombra e Água Fresca (quando o ponteiro – peão que segue na frente dos bois – encontra um pasto bom para descansar ou pernoitar. O toque convence o gado a parar). Berrante Pantaneiro foi escrita em 2002 e gravada no ano de 2010, inspirada nos diferentes toques de berrante - uma espécie de buzina feita de cornos de animais, eficaz na orientação, defesa e comando do gado, instrumento muito utilizado por vaqueiros para conduzir a boiada e se comunicar à distância nos pastos do Brasil. A responsabilidade de empunhar o berrante em meio a violinos, violas, violoncelos, contrabaixo e percussão fica a cargo de um dos mais folclóricos tocadores do instrumento, o cacerense e ex-peão Chico do Berrante. “O Chico possui o maior berrante do mundo, com 1,65 metros de comprimento e 50 cm de boca. Já foi duas vezes campeão do concurso de berrante em Barretos, a maior festa de peão do Brasil”, diz Milton Guapo. O berrante é um instrumento de sopro de grande e médio porte, dotado de escalas e tonalidades distintas, capaz de emitir códigos de comunicação com os animais e entre os peões, como o toque de abertura da porteira, retirada da querência, balanço da boiada, aviso de encruzilhada, dentre outros. “Tem também o toque de pastoreio, que significa a sequência da viagem, pondo o gado no estradão novamente. Mas, o bonito mesmo é o fim da jornada, o toque de debandada, que indica que os vaqueiros vão voltar para casa depois do trabalho cumprido”, explica Chico do Berrante.

Neste álbum está também o poema sinfônico Dança Fantástica da Chapada que compôs numa noite na cidade de Chapada dos Guimarães no começo dos anos 90. Havia nessa época muitos acontecimentos na região: morte súbita de amigos, novas descobertas de sítios arqueológicos, contato com OVNIs e outros. Esse tema foi coreografado nessa mesma época pelo bailarino Paulo Medina e depois gravado no álbum Pantanal Branco e Preto, com novo arranjo de sua autoria e orquestração do músico Ítalo Perón. A música ganhou um brilho especial com a regência do maestro Leandro Carvalho e a Orquestra do Estado de Mato Grosso. Quanto ao último tema, Remansos (Suíte Para Violão Solo) foi trilha composta para o vídeo Baile Pantaneiro do cineasta Amauri Tangará e que levou o melhor tratamento com o toque do exímio violonista Bruno Pizaneschi.

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