Como mergulhar na música de Taiguara | Kuarup

Como mergulhar na música de Taiguara

Com 15 álbuns e diversos ‘compactos’ gravados, o músico Taiguara Chalar da Silva (1945-1996) fez um trabalho tão significativo que ganhou milhares de seguidores fieis. Muitos preferem sua fase inicial, mais romântica; outros relembram seus discos da etapa pós-exílio, mais experimentais, marcadamente latinos, politicamente contestadores.

O radialista Mario Lima Carvalho, de 40 anos, conta que descobriu o músico ouvindo a coletânea Sucessos de Taiguara, quando era ainda adolescente. Mas se encantou de vez quando ouviu Imyra, Tayra, Ipy – vinil que ele exibe orgulhoso na foto, ao meu lado, na livraria Realejo, em Santos, durante o relançamento do livro Os Outubros de Taiguara – Um artista Contra a Ditadura: Música, Censura e Exílio (Kuarup, 2014).

Não é para menos: considerado uma obra prima, esse disco foi recolhido pela polícia assim que chegou às lojas entre 1972 e 1973 e virou uma raridade. Só voltou a ficar disponível em 2014, com o relançamento em CD pela Kuarup.

“Fanzaço”, Mário indica, para quem quer se iniciar em Taiguara, primeiro “se deixar levar, começando pelo Fotografias” (de 1973, disponível em streaming). “Ali tem, para mim um pouco de tudo que Taiguara fez e faria, uma ‘pianice’ que me pega”, afirma.

Já para a produtora Moína Lima, filha que Taiguara adotou em seu segundo casamento, “Imyra” é uma obra que exige uma certa “compreensão”. “ A sonoridade experimental, os coloridos melódicos dissonantes e a forma estilística com que ele passeia pelas várias nuances e etnias brasileiras, são muito impactantes”.

Moína recomenda começar ouvindo a obra o mais cronologicamente possível. “Se eu fosse escolher um disco da ordem cronológica para começar a ouvir Taiguara, esse seria, sem dúvida, o Piano e Viola, de 1972”.

Taiguara era desses músicos completos. Criava letras e melodias, tocava o piano, conduzia a banda, planejava e organizava sua própria carreira, divulgava seus shows. Fez parte do ‘cast’ dos principais cantores da MPB nos anos 1960 e 1970. A história desse músico brasileiríssimo, nascido no vizinho Uruguai, está contada em “Os Outubros”.

Mas, como foi relatado no livro, ele teve a carreira interrompida pela repressão da ditadura civil-militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. Ficou longos anos ausente, em parte exilado, em parte dedicado à militância política como tantos outros artistas engajados no objetivo de recuperar a democracia. Essa lacuna de tempo “desaparecido”, impediu que sua obra fosse disseminada pelas gerações seguintes e hoje, muitos jovens nunca ouviram falar dele. (Janes Rocha).

 

 

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