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Eugênio Avelino

20/3/1948 – Vitória da Conquista -  Bahia

Cantor e compositor, filho e neto de violeiros, nascido em Vitória da Conquista, no sertão da Bahia, em 20 de março de 1948, Eugênio Avelino ainda pequeno fixa-se com a família na zona da mata de Minas Gerais. O pai abre uma sorveteria, na cidade de Nanuque, a Xangai, que lhe inspiraria o nome artístico do filho. Seu avô Avelino era mestre dos mestres dos sanfoneiros da região e faleceu aos 101 anos, tendo transmitido sua maestria ao filho Jany. Viveu tempos na fazenda de seu primo, o compositor Elomar, e aprendeu a cantar aboiando com os vaqueiros. O encontro com Elomar foi decisivo em sua formação artística.

Começou a tocar na adolescência e apesar de herdar do pai e do avô o gosto pela sanfona, acabou optando pelo violão. Em 1973, o violeiro mudou-se para o Rio de Janeiro, lá vivendo por mais de dez anos. Começou a faculdade de economia, porém, abandonou o curso para seguir a carreira artística. Considerado por parte da crítica como uma das mais belas vozes a serviço da música sertaneja de raiz e apontado por muitos como um aglutinador de linguagens do sertão, o músico grava em 1976, pela CBS, seu primeiro disco Acontecimento. No trabalho, destaque para as composições Asa Branca, clássico de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Forró de Surubim, Marcha-Rancho e Esta Mata Serenou, entre outras.

Após o lançamento do LP seguiu uma carreira independente, desvinculada das grandes gravadoras. Em 1980, lançou, em conjunto com o primo Elomar, Arthur Moreira Lima e outros, o disco Parceria Malunga, pelo selo Marcus Pereira. Em seu segundo disco solo Qué Qui tem Canário, de 1981, destaque para as composições Curvas do Rio, Pé de Milho e Estampas Eucalol, melodia de Hélio Contreras. Seu terceiro disco solo, Mutirão da Vida, de 1984, contou com a direção musical de Jaques Morelenbaum e acompanhamento do grupo Cumeno Cum, do diretor no cello, Alex Madureira na viola, Marcelo Bernardes no sax, clarineta e flauta, e Mingo na percussão. O álbum teve ainda as participações especiais de Geraldo Azevedo, Hélio Contreras, Marquinhos do Acordeom, Marcos Amma e Paula Martins.

Destacaram-se no disco, as músicas Fábula Ferida, de Jatobá, O Menino e os Carneiros, de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, Ele Disse, de Edgar Ferreira, antigo sucesso de Jackson do Pandeiro sobre a carta testamento de Getúlio Vargas, Violêro, de Elomar, e Alvoroço, dele e do músico Capinam. O disco trazia uma sofisticação instrumental e surpresas rítmicas. No mesmo ano, apresentou show no Teatro Castro Alves, em Salvador, acompanhado de Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias. Da apresentação nasceu o disco ao vivo Cantoria 1, projeto lançado pela gravadora Kuarup, que deu origem à outros volumes.

Neste primeiro projeto Xangai interpretou com Desafio do Auto da Catingueira, de Elomar, acompanhado do próprio autor, Novena de Geraldo Azevedo e Marcus Vinícius, que cantou juntamente com Geraldo e Vital, Cantiga do Boi Incantado, de Elomar, e Kukukaya, da compositora Cátia de França. No ano seguinte, com o mesmo grupo, foi gravado e lançado o Cantoria 2, segundo volume da série. Em 1985, recebeu o prêmio Chiquinha Gonzaga. Em 1986, lançou o disco Xangai Canta Cantigas, Incelenças, Puxulias e Tiranas de Elomar, que contou com a participação do próprio autor, João Omar e Jaques Morelenbaum. No trabalho estão presentes outras composições de Elomar como Desafio, A Meu Deus um Canto Novo e História de Vaqueiros.

No mesmo ano, apresentou-se no Rio de Janeiro, no Teatro João Caetano, no show Um Poeta na Praça. Em 1990, lançou Xangai Lua Cheia-Lua Nova, com destaque para Xote Maria, Punhos de Serpente e Estrela do Norte. Em 1991, lançou o disco Dos Labutos, com interpretações de Não Rio Mais, Bahia de Calça Curta e Xodó de Motorista. Em 1996, lançou com o músico Renato Teixeira o disco Aguaterra, ao vivo, com destaques para Não Rio Mais, Olhos Profundos, João Alegre e Nas Asas do Vento.

Em Cantoria de Festa, seu álbum de 1997, interpretou Nós é Jeca Mas é Jóia, canção de Juraildes da Cruz, Serra da Borborema, Meu Cariri e Rei do Sertão entre outras. Com este disco recebeu o Prêmio Sharp de Melhor Disco do Ano. Ainda em 97, apresentou as músicas desse álbum em shows por São Paulo e Paraná. Em seus trabalhos, Xangai traz a sua voz penetrante e muito característica com a bem sucedida mistura de coco, baião, xaxado, xote, toada e ciranda para suas canções e adaptações do folclore nordestino.

Procura cantar os sons de sua terra, criando uma música que se mantém longe dos modismos fonográficos, preservando a identidade da chamada música de raiz. Em 1998 lançou o disco Um Abraço Pra ti, Pequenina, gravado com o Quinteto da Paraíba, somente com músicas de compositores paraibanos como José Marcolino, Cassiano, Geraldo Vandré, Chico César e Bráulio Tavares entre outros. O trabalho contou com as participações especiais de Vital Farias, Cátia de França e Pedro Osmar. Em 2002, apresentou-se no Mourisco, em Botafogo, dentro do projeto Xodó Carioca. No show, a participação da filha Mariá Porto, líder da banda Belladona.

No mesmo ano lançou o CD Brasileirança, gravado com o Quinteto da Paraíba, com destaque para as canções Pequenina, de Renato Teixeira, Luz Dourada, de Juraildes da Cruz e o ABC do Preguiçoso (Ai D’eu Sodade), um de seus maiores sucessos. Também no mesmo ano, apresentou-se com Elomar, Pena Branca, Renato Teixeira e Teca Calazans no show Cantoria Brasileira, no Teatro da UFF, em Niterói, comemorativo aos 25 anos da gravadora Kuarup. O espetáculo foi transformado pouco tempo depois em CD. Em 2004, apresentou-se com Juraildes da Cruz, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, explorando em treze canções a variada música sertaneja. A união dos dois artistas foi tão apreciada pelo público que, no mesmo ano, foi lançado, pela Kuarup, o CD Nóis é Jeca Mais é Jóia, reunindo os dois músicos.

Além de áudio, o CD, que teve coprodução de Xangai e de Mário Aratanha, proprietário da gravadora, contou com o formato CD-Rom, incluindo dois vídeoclipes com gravações de Xangai e Juraildes cantando no estúdio. Os arranjos do disco foram criados na hora das gravações, contando com a interação dos violões do maestro João Omar, responsável pela direção musical do CD, de Juraildes, e de Xangai, o que resultou em trabalho de rara espontaneidade. O álbum contou ainda com as participações de Chico Lobo (viola caipira), Mariá Porto, que cantou Enfeites de Cabocla e Antônio Adolfo (piano e rabeca). No repertório, Nóis é Jeca Mais é Jóia, música título do CD, que deu a Juraildes o prêmio Sharp em 1997, no disco, interpretada em duo.

Também clássicos como Desatando Nó, e inéditas como Convida Eu (para Bush e Saddam) e Bolero de Isabel, com solo de Xangai. Os dois vídeoclipes foram filmados e montados por Mário Aratanha e produzidos no Rio de Janeiro, na região de Araras, em Petrópolis, onde o CD foi gravado. Em 2005, apresentou-se com Juraildes da Cruz, acompanhados de João Osmar, na Sala Funarte, no Rio de Janeiro. Seu primeiro DVD Estampas Eucalol, lançado em 2006, tráz uma cantoria de 78 minutos gravada ao vivo no Rio de Janeiro e uma entrevista de 55 minutos feita em Salvador, e ilustrada com depoimentos e números musicais, contando também com participação especial de Elomar (uma de suas raríssimas aparições em vídeo).

A produção é ilustrada com as Estampas Eucalol, famosas no jogo publicitário dos anos 50 e 60, e abrange os maiores sucessos de Xangai, além de algumas canções inéditas. Participam da parte da cantoria do DVD os músicos João Omar (violão), Ocelo Mendonça (violoncelo e flauta), Ferretti (percussão), além da participação especial da cantora Mariá Porto. A direção e montagem tem a assinatura de Mario de Aratanha.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

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