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Vital Farias

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Vital Farias

23/1/1943 – Taperoá – Paraíba

Cantor e compositor, Vital Farias nasceu em Taperoá, cidade do interior do estado da Paraíba, em 23 de janeiro de 1943. Foi o caçula entre 14 irmãos e alfabetizou-se com as irmãs através da literatura de cordel. Sua formação musical foi feita com grande ligação ao universo sertanejo além de ouvir bandas de pífanos, repentistas e cantadores. Aos 18 anos, começou a estudar violão sozinho. Autodidata, parte de seus conhecimentos musicais foram herdados da tradição musical da família.

Nessa época, foi para João Pessoa para servir o exército. Na capital paraibana assistiu à apresentações de todos os tipos de música, da erudita à popular. Participou de diversos conjuntos musicais, entre os quais, Os Quatro Loucos, que apresentavam imitações de músicas do conjunto britânico The Beatles. Pouco depois passou a dar aula de violão e teoria musical no Conservatório de Música de João Pessoa e lá conheceu os músicos Sivuca e Hermeto Pascoal. Em 1975, mudou-se para o Rio de Janeiro e no ano seguinte foi aprovado no vestibular para a Faculdade de Música.

No Rio de Janeiro intensificou o contato com artistas de teatro, cinema e música. Em 1975, participou do show de inauguração da Sombrás, entidade dedicada ao direito autoral. Em 1976, atuou como músico na peça Gota D’água, de autoria de Chico Buarque. Nesse período intensificou seus estudos de história, política, filosofia e ao mesmo tempo mantinha conhecimentos sobre a literatura de cordel. Sua primeira composição gravada foi Ê Mãe, em parceria com Livardo Alves e gravada por Ari Toledo.

A partir de então passou a ter algumas músicas de sua autoria gravadas por intérpretes de sucesso, como Marília Barbosa, que registrou Caso Você Case, canção incluída na trilha sonora da novela Saramandaia, da TV Globo, em 1976. Em 78, gravou pela Polydor o seu primeiro disco com destaque para as composições Canção em Dois Tempos (Era Casa era Jardim), que foi incluída na trilha sonora da novela Roda de Fogo, trama da extinta TV Tupi do Rio de Janeiro, Bate Com o pé Xaxado, Expediente Interno e Deixe de Afobação. Em 1980, lançou seu segundo disco, Taperoá, coordenado por Fagner, na época, exercendo cargo executivo na gravadora Sony Music. Neste trabalho destacaram-se as composições Pra Você Gostar de Mim, Repente Paulista e Veja (Margarida), que seria depois regravada pela cantora paraibana Elba Ramalho, tornando-se um grande sucesso.

Em 1982, lançou, novamente pela Polygram, o LP Sagas Brasileiras, onde destacaram-se  as canções Do Meu Jeito Natural, Cantigas Para Voar (A Elba Ramalho), Saga de Severinim, o épico Saga da Amazônia, antecipando o movimento ecológico que tomaria força no final daquela década e Ai Que Saudade de Ocê, canção regravada por Fábio Jr. em 1993 para a novela Renascer. Em 1984, lançou pela gravadora Kuarup o CD Cantoria 1, juntamente com Elomar, Geraldo Azevedo e Xangai, gravado ao vivo no Teatro Castro Alves, em Salvador.

De sua autoria foram gravadas as composições Sete Cantigas Para Voar, Ai que Saudade de Ocê e Saga da Amazônia, além da participação vocal e instrumental em canções dos outros integrantes do disco. Em 1985, lançou o LP Do Jeito Natural, uma coletânea com seus maiores sucessos. No mesmo ano, participou do disco Cantoria 2, com a reunião dos mesmos integrantes do disco anterior, onde interpretou Saga de Severinim, Era Casa Era Jardim e Veja (Margarida). Depois desses lançamentos, Vital Farias não gravou e nem lançou trabalhos nesse período, dedicando-se aos estudos e planejando lançar no começo do novo milênio quatro novos discos, sendo que um deles seria a Epopeia Negra, contando a história de Mussabá.

Suas composições destacam-se pelo humor e inventividade, onde se mesclam canções nordestinas, sambas de breque, modinhas, xaxados e outros ritmos. Em 2002 produziu o disco de estreia de sua filha e cantora Giovanna, onde estão presentes 15 composições de sua autoria. O disco foi lançado pelo selo Discos Vital Farias. No mesmo ano lançou o disco Vital Farias ao Vivo e Aos Mortos Vivos. Recebeu ainda no mesmo período o título de Cidadão do Rio de Janeiro.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

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