Chico Lobo | Kuarup
Chico Lobo

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Francisco Lobo

26/2/1963 – São João Del Rey – Minas Gerais

Chico Lobo nasceu na cidade de São João Del Rey, no interior do estado de Minas Gerais, no dia 26 de fevereiro de 1963. Desde menino, recebeu do pai, o seresteiro Aldo Lobo, grande influência no gosto pela música, crescendo entre folias de reis e serestas. Apaixonado pela cultura de sua terra, aos 14 anos, sonhava em tocar viola. Em 1984 foi para Belo Horizonte. Formou-se em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais. Fez pós-graduação em Psicomotricidade e Pedagogia do Movimento na Universidade Gama Filho no Rio de Janeiro, mas, a paixão pela música o afastou dessas atividades.

Apontado pela crítica como solista virtuose e um dos mais ativos violeiros engajados na preservação da cultura caipira, seus shows sempre contam com causos, canções, cantorias com a plateia e solos de viola. Em 1995, participou do CD Canta Minas, uma coletânea de artistas, lançada pela gravadora Som Livre, e do CD São Tomé das Letras e das Músicas. Em 1997 foi indicado para  o Prêmio Sharp na categoria Revelação da Música Regional Brasileira pelo disco No Braço Dessa Viola, uma produção independente. O disco teve tiragem esgotada em várias capitais brasileiras onde fez apresentações. Por causa do trabalho, foi convidado pelo Comune di Trento para realizar 10 shows, fazendo parte dos projetos Rovereto State, Trento State e Meeting per la Amicizia dei Popoli, na cidade de Rimini, na Itália. Criou a trilha sonora do vídeo Cerrado o Pai das Águas, de Dêniston Diamantino, lançado pela Opará Vídeo. Em 1998, desenvolveu o espetáculo de música e dança O Profano e O Sagrado juntamente com o Grupo Sagandeio de Danças da UFMG, coordenado pelo professor e coreógrafo Gustavo Côrtes. O espetáculo estreou no 30º Festival de Inverno da UFMG na praça Tiradentes em Ouro Preto. Gravou com o cantor Jackson Antunes o CD Nosso Coração Caipira, declamação de 25 clássicos da música caipira ao som de viola. Em 2000, lançou seu terceiro CD pela Kuarup, Reinado, onde contou com as participações especiais de Jackson Antunes, da dupla de emboladores do Recife, Caju e Castanha, do gaúcho Renato Borghetti, de Pena Branca, do alaudista Nívio Mota e dos novos violeiros Cláudio Araújo, Dimas Soares, Rodrigo Delage e Noel Andrade. Em agosto de 2001, apresentou-se no teatro da PUC  de Belo Horizonte como convidado especial no show de encerramento do II Seminário Internacional Guimarães Rosa. No mesmo ano, fez uma turnê por diversas cidades brasileiras com o cantor e violeiro Pena Branca, apresentando o espetáculo Encontro de Raízes. O show alcançou tanto sucesso que recebeu solicitação de apresentação em diversas cidades nos três anos subsequentes.
Em 2002 criou a trilha musical do seriado Palmeira Seca, que foi ao ar pela Rede Minas de Televisão, sob direção de Breno Milagres. As músicas foram compostas em pouco mais de um mês com temas instrumentais para os quatro elementos da natureza (água, terra, fogo e ar) e também para o tempo. O trabalho resultou no CD Trilha Sonora Palmeira Seca – Chico Lobo e Convidados, com direção musical e arranjos do violeiro. O disco foi patrocinado pelo jornal Estado de Minas e lançado pelo selo Karmim. Também assinou com Jorge Fernando dos Santos, autor do romance que inspirou o seriado, a direção de produção do CD. Ainda no mesmo ano, apresentou-se no Canecão no Rio de Janeiro e no Teatro da UFF em Niterói no show Cantoria Brasileira, em homenagem aos 25 anos da gravadora Kuarup. Nesse ano, também lançou o CD Viola Caipira – Tradição, Causos e Crenças, também pela Kuarup, interpretando entre outras, Boa Nova, Pescador e Nas Voltas do Mundo, de sua autoria, além de Folia de São Gonçalo, de domínio público. Em 2003, foi o idealizador do destaque feito à música caipira na VI Feira e Festival Internacional da Cachaça, a Expo Cachaça, realizada em Belo Horizonte, evento que durou 4 dias.

No evento Chico Lobo abriu o quadro Novos Violeiros apresentando um grupo de violeiros jovens formado por Fernando Sodré, Renato Caetano, Rodrigo Delage e Claudio Araújo. Na noite de encerramento da Expo Cachaça apresentou-se solo e acompanhado do violeiro Pena Branca com participação da Orquestra Minas e Viola. A partir de 2003, passou a apresentar, pela Rádio Inconfidência FM, em Belo Horizonte, o programa Canto da Viola, no ar aos domingos, em dois horários: de 11h às 12h no FM  e de 20h às 21h no AM. O programa apresenta informação, tradição e curiosidades do universo da viola caipira, além de prosa com os mais reconhecidos violeiros do país e também com novos talentos da viola. Também no mesmo ano, passou assinar uma página na revista Viola Caipira, especializada em música de raiz e tradições do universo caipira. Na Coluna do Lobo, título da página, o violeiro desenvolve prosa sobre a cultura caipira, apresentando mestres violeiros anônimos, aspectos da cultura caipira e refletindo sobre as tradições interioranas brasileiras. Desde o início dos anos 2000 passou a comandar, aos sábados, na TV Horizonte, o programa Viola Brasil, tocando e recebendo outros violeiros, informações sobre as folias, os congados, as raízes mineiras e brasileiras, apresentação de curiosidades, causos e informações sobre a tradição da viola. Em 2004, lançou o CD O Violeiro e a Cantora, com participação da cantora Dea Trancoso.
Também no mesmo ano, levou a cultura da viola caipira aos centros culturais de Rimini, na Itália  e Viena, na Áustria. Ainda nesse ano, participou, do projeto Os Bambas da Viola, coletânea lançada pela Kuarup que reuniu em CD seis renomados violeiros para representar a viola das regiões do Brasil. Além de Chico Lobo o CD traz Roberto Corrêa, Almir Sater, Helena Meirelles, Haroldo do Monte e Renato Andrade. Nesse trabalho interpretou duas composições de sua autoria: Ibérica, acompanhado de Rogério Delayon na guitarra portuguesa, e Vazante, acompanhado por Carlinhos Ferreira na percussão. Também em 2004, participou com sua viola caipira no CD Nóis é Jeca Mas é Joia, trabalho lançado por Xangai em parceria com Juraíldes da Cruz. Ainda no final de 2004, participou do projeto Violas do Brasil, apresentando-se no Teatro II do CCBB, em alternância com outros quatro mestres do instrumento: Pena Branca, Almir Sater, Renato Andrade e Roberto Corrêa. Sempre trazendo em sua viola as fitas dos Santos Reis, marca pessoal do violeiro, lançou em 2005 na casa de espetáculos Canecão, no Rio de Janeiro, seu primeiro DVD Viola Popular Brasileira. O show foi batizado de Violas e Histórias de Minas e Chico Lobo dividiu o palco com o violeiro Fernando Sodré e o contador de causos Tadeu Martins. O DVD foi gravado ao vivo em São João Del Rey, sua cidade natal, e contou com direção e montagem de Mário de Aratanha. O registro mostra seus maiores sucessos entre reisados, congados, serestas e modas de viola, em quase uma hora e meia de show, com as participações especiais de Aldo Lobo, Pena Branca e Xangai . Participam do DVD os músicos: Rogério Delayon (cordas), Marco Aur (baixolão), Dado Prates (flauta), Mateus Bahiense e Edson Fernando (percussão). Fizeram parte do DVD as músicas Abertura, Reisado, Zóio Preto, Beira de Mato, Nas Voltas do Mundo, Lundus, Caipira, Ibérica, Criação, Vazante, Batuque de Viola, Matuto, Saudade Matadeira, No Braço Dessa Viola, Boi Carreador, Chamamé, Tropa, Os Músicos, Palmeira Seca, Saudade, Morena e Viola de Terreiro. Considerado como um dos artistas mais ativos no processo de popularização e resgate da memória da tradição musical mineira, Chico Lobo apresentou-se nos anos de 2006 e 2007 em diversos eventos e lugares do Brasil e do exterior, destacando-se em uma turnê por Portugal, tocando em várias localidades, inclusive acompanhado do violeiro português Pedro Mestre, que também participou do CD homônimo e do DVD, lançado simultaneamente. Em agosto de 2007, foi convidado especial no Sr. Brasil, programa da TV Cultura de São Paulo apresentado por Rolando Boldrin. Na atração tocou e cantou Saudade Matadeira e Nossa Senhora dos Pescadores, canções de sua autoria. Chico Lobo foi acompanhado pelo músico Chico Ceará no acordeon.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira