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CD
 
Orquestra Paulistana de Viola Caipira
Intérprete(s) Principal(is): Orquestra Paulistana de Viola Caipira - Rui Torneze
Compositor(es) Principal(is):
<--Faixas em MP3.
KCD174
 
São 79 minutos de um belíssimo mapeamento da Música Caipira passando por ritmos como toada, cururú, corta-jaca, querumana, cateretê, pagode de viola, guarânia, recortado e folia de reis. Gravado ao vivo por mais de 50 violeiros/cantores, no lotadíssimo Teatro São Pedro, em São Paulo.
Faixas
Ficha Musical
Ficha Técnica
Letras
 
 
Faixas:
 
KCD174 - Orquestra Paulistana de Viola Caipira Tempo Total: 79:10
01 Hino Nacional Brasileiro (Francisco Manuel da Silva/ Osório Duque Estrada) 04:33
02 Pot-pourri de Todas I - Cuitelinho /Chico Mineiro/Cabocla Tereza (Antonio Xandó/ Tonico/ Francisco Ribeiro/ João Pacífico/ Raul Torres/ Paulo Vanzolini) 05:05
03 Pot-Pourri de Todas - Tristezas do Jeca/Luar do Sertão/Felicidade (Catulo da Paixão Cearense/ Lupicínio Rodrigues/ Angelino de Oliveira) 04:19
04 Ora Viva São Gonçalo (Paulo Vanzolini) 03:13
05 Saudade de minha terra (Goiá/ Belmonte) 05:34
06 Encanto da Natureza (Luiz de Castro/ Tião Carreiro) 03:22
07 Pé de Ipê (Francisco Ribeiro/ Tonico) 04:53
08 Triste Berrante (Adalto dos Santos) 04:30
09 Reisado/Encontro de Bandeiras (Xavantinho/ Tavinho Moura/ Teddy Vieira) 08:16
10 O Trenzinho do Caipira (Tocata)/Ponteio (Edu Lobo/ Capinam/ Heitor Villa-Lobos) 08:10
11 Você vai gostar ( Casinha Branca)/Tocando em Frente (Almir Sater/ Renato Teixeira/ Elpidio Santos) 07:17
12 Caçador/Pescador e Catireiro (Carreirinho/ Cacique/ Carreirinho/ Tião Carreiro) 07:03
13 Pot-Pourri de Introduções de Pagode de Viola - Chora viola/Pagode em Brasília/O mundo no avesso (Teddy Vieira/ Lourival dos Santos/ Lourival dos Santos/ Tião Carreiro/ Tião Carreiro) 01:45
14 Pot-Pourri de Introduções de Pagode de Viola II - Nove e nove/Navalha na carne/Com Deus na frente (Júlio Giudini/ Tião Carreiro/ Sonivaldo Rodrigues/ Teddy Vieira/ Lourival dos Santos/ Tião Carreiro/ Zé Batuta/ Lourival dos Santos) 01:13
15 Saudade de Araraquara/Peito sadio (Carreirinho/ Raul Torres/ Zé Carreiro/ Zé Carreiro) 07:53
16 Vide, Vida Marvada (Rolando Boldrin) 04:43
17 Ode à viola/Eu, a viola e Deus (Rolando Boldrin/ Rolando Boldrin) 04:21
 
 
Ficha Musical
 
  Regente: Rui Torneze

Orquestra Paulistana de Viola Caipira:

Naipe de Solo:

Luciano Cordeiro, Fabíola Mirella, Andreis Bassi, Júlio Cordeiro, Lucas Torneze, Wesley Naberezny, Sérgio Zéx, Robson Russo, Ighor Aguila, Ari Freitas, Orlando Leitão.

Naipe de Base:

Cláudio Rugene, Beto Moschkovich,Arthur Rovida, Cláudio Lacerda, Mumbuka, Edmundo Graballos, Hermínio, Malícia, Filipe Vidoca, Valmir Rosa, Flávio Aparecido, Juliano Mola, Jorge Augustus, José Ramalho, Edison Hansen, Daniel Zanzini, Vinícius Lanna, Fábio Manfreddi, Isnard de Carvalho, Renato Rocha, Celson Lorena, Tharses Camargo, José Santana, Juliana Bertin, Cristiano Alexandre, Décio Carratu, Jean Carlos, Benedito Alves, Mário Luiz, Reinaldo Silvério, Paulo Theodoro, Léo de Lima, Eduardo Borsatti, Augusto César, Ailton Rios, Aluísio Salge, Toninho de Jesus, Ivan Luis,Raimundo Cândido, Donizetti Assunção, José Carlos Vieira, Neusa Mariano.
 
 
 
Ficha Técnica
 
 
PRODUZIDO POR: LÉO STINGHEN E RUI TORNEZE
DIREÇÃO MUSICAL E ARRANJOS: RUI TORNEZE
ASSISTENTES DA REGENCIA: ORLANDO LEITÃO E SÉRGIO ZÉX

GRAVADO AO VIVO NO
THEATRO SÃO PEDRO, SÃO PAULO,
NOS DIAS 4, 5 E 6 DE OUTUBRO DE 2002,
POR AUDIOMOBILE DIGITAL - UNIDADE MÓVEL.
SUPERVISÃO TÉCNICA: ENG. EGIDIO CONDE.
ENGENHEIRO DE GRAVAÇÃO: CARLOS SUSSUMU MINAMI (ARU).
ASSISTENTES: ERNANI NAPOLITANO, FERNANDO FERRARI.
FOTOS: MYRIAN FOGAÇA
PROJETO GRÁFICO: JANINE HOUARD


AGRADECIMENTOS:
ROLANDO BOLDRIN, FERNANDO CALVOZO, AKIKO OYAFUSO, DOLORES MANZONI, ALBERTO VICCARI, MARITTA ARAÚJO,
ALIDÊ BELUZZO, ANTONIO JIACOMINI, LUIS CARLOS PEPINELI, FÁBIO RIBEIRO, LUIS FERNANDO BORGES, CÉLIO FRANÇA
E JOSÉ RICCI

CONTATO PARA SHOWS: (11) 6682-7780

 
 
 
Letras
 
 
1 - HINO NACIONAL BRASILEIRO

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte !
Ó Pátria amada, idolatrada, Salve ! Salve !
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza,
Terra adorada entre outras mil, és tu, Brasil,
Ó Pátria amada !
Dos filhos deste solo, és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil !
Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo !
Do que a terra mais garrida,
Teus risonhos lindos campos têm mais flores;
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida, no teu seio, mais amores,
Ó Pátria amada, idolatrada, salve ! salve !
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada entre outras mil,
És tu, Brasil, ó Pátria amada !
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil !

4 - ORA VIVA SÃO GONÇALO

Este é o primeiro verso
Que nesta casa eu canto
Já desponta a madrugada }
Padre, Filho, Esprilto Santo }
Ora viva São Gonçalo, ( 2 x )

São Gonçalo de Amarante
Protetor dos namorados
Trago uma fita no peito
Coração tão amarrado
Coração tão orgulhoso
Agora danço um jingado
Prá louvar meu São Gonçalo
Protetor dos namorados
Ora viva São Gonçalo ( 2 x )

Este é o segundo verso
Que nesta casa eu canto
Já desponta a madrugada
Padre, Filho, Esprilto Santo
Ora viva São Gonçalo ( 2 x )
São Gonçalo de Amarante
Protetor dos casamentos
Morena cheia de fita
Pisando com elegância
Meu santo amor me dê muito
De casamento distância
Ora viva São Gonçalo
Padre, Filho, Esprilto Santo
Ora viva São Gonçalo ( 2 x )

Este é o terceiro verso
Que nesta casa eu canto
Já desponta a madrugada
Padre, Filho, Esprilto Santo
Ora viva São Gonçalo ( 2 x )
São Gonçalo de Amarante
Protetor dos violeiros
Se um dia eu chegar no céu
Viola entra primeiro
Viola cheia de fitas,
Tá dengosa, tá bonita
Prá louvar meu São Gonçalo
Protetor dos violeiros
Ora viva São Gonçalo ( 2 x )

Este é o derradeiro verso
Que nesta casa eu canto
Já desponta a madrugada
Padre, Filho, Esprilto Santo

5 - SAUDADE DA MINHA TERRA

De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão eu quero voltar
Ver a madrugada quando a passarada
Fazendo alvorada começa a cantar
Com satisfação, arreio o burrão
Cortando o estradão saio a galopar
E vou escutando o gado berrando
Sabiá cantando no Jequitibá

Por Nossa Senhora, meu sertão querido
Vivo arrependido por ter te deixado
Nesta nova vida aqui da cidade
De tanta saudade eu tenho chorado
Aqui tem alguém, diz que me quer bem
Mas não me convém, eu tenho pensado
E digo com pena, mas esta morena
Não sabe o sistema em que fui criado
Estou aqui cantando, de longe escutando
Alguém está chorando de rádio ligado

Que saudade imensa do campo e do mato
Do manso regato que corta as campinas
Lá aos domingos, passear de canoa
Na linda lagoa de águas cristalinas
Que doces lembranças, daquelas festanças
Onde tinha danças e lindas meninas
Eu vivo hoje em dia sem ter alegria
O mundo judia mas também ensina
Estou contrariado mas não derrotado
Eu sou bem guiado pelas mãos divinas

Prá minha mãezinha já telegrafei
Que já me cansei de tanto sofrer
Nesta madrugada estarei de partida
Prá terra querida que me viu nascer
Já ouço sonhando o galo cantando
O nhambu piando no escurecer
A lua prateada clareando a estrada
A relva molhada desde o anoitecer
Eu preciso ir prá ver tudo ali
Foi lá que nasci, lá quero morrer !

6 - ENCANTOS DA NATUREZA

Tu que não tiveste a felicidade
Deixa a cidade, vem conhecer
Meu sertão querido, meu reino encantado
Meu berço adorado que me viu nascer
Venha o mais depressa, não fique pensando
Estou te esperando para te mostrar...
Vou mostrar os lindos rios de águas clara
E as belezas raras do nosso luar

Quando a lua nasce por detrás da mata
Fica cor de prata a imensidão
Então fico horas e horas olhando
A lua banhando lá no ribeirão
Muitos não importam com esse luar
Nem lembram de olhar o luar na serra ...
Mas estes não vivem são seres humanos
Que estão vegetando em cima da Terra

Quando a lua esconde logo rompe
A aurora vou dizer agora do amanhecer
Raios vermelhados riscam o horizonte
O sol lá no monte começa a nascer
Lá na mata canta toda a passarada
E lá na paiada pia o chororó....
O rei do terreiro abre a garganta
Bate a asa e canta em cima do paiol

Quando o sol esquenta cantam cigarras
Em grande algazarra na beira da estrada
Lindas borboletas de variadas cores
Vem beijar as flores a desabrochar
Este pedacinho do chão encantado
Foi abençoado por Nosso Senhor ...
Que nunca nos deixa faltar no sertão
Saúde , união, a paz e o amor

7 - PÉ DE IPÊ

Eu pensei que adivinhava,
quando, às veiz, eu te chamava
De muié sem coração,
minha voz, assim queixosa,
vancê é a mais formosa
Das caboclas do sertão,
minha voz, assim queixosa,
vancê é a mais formosa

Das caboclas do sertão

Certa veiz, tive um desejo
de prová o mé de um beijo
Da boquinha de vancê,
lá no trio da baixada,
Pertinho da incruziada
debaixo de um pé de ipê,
Lá no trio da baixada,
pertinho da incruziada,
debaixo de um pé de ipê
Mas o destino é traiçoeiro e me deixou na solidão
Foi s´imbora pra cidade, me deixou triste sodade,
Neste pobre coração, foi s‘imbora prá cidade,
Me deixo triste sodade, neste pobre coração

Quando eu passo a incruziada,
ainda avisto o pé de ipê,
Ainda canta um passarinho,
me faiz alembrá sozinho
Aquele dia com vancê.
Ainda canta um passarinho,
me faiz alembrá sozinho
Aquele dia com vancê.

8 - TRISTE BERRANTE

Já vai bem longe esse tempo eu sei
Tão longe que até penso que eu sonhei
Que lindo quando a gente ouvia distante
O som daquele triste berrante
De um boiadeiro a lidar

E eu ficava ali na beira da estrada
Vendo caminhar a boiada
Até o último boi passar
Ali passava boi, passava boiada
Tinha uma palmeira na beira da estrada
Onde foi cravado muito coração

Mas sempre foi assim e sempre será
O novo vem e o velho tem que parar
O progresso cubriu a poeira da estrada
Esse tudo que é meu nada
Hoje tenho que acatar e chorar
E mesmo tendo gente e carro passando
Meus olhos estão enxergando
Uma boiada passar

9 - REIZADO

O galo cantou no Oriente, ai, ai, ai, ai
Surgiu a estrela guia, ai ai
Anunciando à humanidade, ai, ai, ai, ai
Que o menino nascia ai ,ai ,ai ,ai
Em uma estrebaria, ai, ai

Vinte e cinco de dezembro
Ai, ai, ai, ai
Não se dorme no colchão, ai, ai
Deus menino teve a cama
Ai, ai, ai, ai
De foia seca do chão,ai,ai,ai,ai
Prá nossa salvação, ai, ai
Senhora dona da casa
Ai, ai, ai, ai
Óia a chuva no telhado, ai, ai
Venha ver o Deus menino
Ai, ai, ai, ai
Como está todo molhado,
ai,ai,ai,ai
Os três Reis a seu lado ai, ai

Deus lhe pague a bela oferta
Ai, ai, ai, ai
Que vos deu com alegria, ai, ai
O Divino Santo Reis
Ai, ai, ai, ai
São José , Santa Maria, ai,ai,ai,ai
Há de ser vossa guia, ai, ai

ENCONTRO DE BANDEIRAS

Ai, que bandeira é essa , ai, ai
Na porta da sua morada
Aonde mora o Cálix Bento
E a Hóstia Consagrada
E a Hóstia Consagrada, eh, eh, eh !
Que encontro tão bonito, ai, ai
Que fizemo aqui agora
Os três Reis do Oriente
São José , Nossa Senhora
São José , Nossa Senhora, eh, eh, eh !

As Bandeira vai-se embora, ai, ai
As fita vão avoando
Se despede do festeiro
Prá voltar no outro ano
Prá voltar no outro ano, eh, eh, eh !

10 - TRENZINHO DO CAIPIRA

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino

Cidade, noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pró dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra, vai pelo mar
Correndo entre as estrelas a voar
Cantando pela serra ao luar , no ar ...
No ar .....
No ar .....

PONTEIO

Era um , era dois , era cem
Era o mundo chegando e ninguém
Que soubesse que eu sou violeiro
Que me desse ou amor ou dinheiro

Era um, era dois, era cem

E vieram pra me perguntar
Ô , você, de onde vai, de onde vem
Diga logo o que tem pra contar
Parado no meio do mundo
Senti chegar meu momento
Olhei pro mundo e nem via

Nem sombra, nem sol, nem ven......to

Quem me dera agora
Eu tivesse a viola pra cantar (intr.)

Era um dia, era claro, quase meio
Era um canto calado, sem ponteio
Violência , viola , violeiro
Era morte em redor, mundo inteiro
Era um dia, era claro, quase meio
Tinha um que jurou me quebrar
Mas não me lembro de dor, nem receio
Só sabia das ondas do mar
Jogaram a viola no mundo
Mas fui lá no fundo busca
Se tomo a viola eu ponteio


Meu canto não posso parar, não
(refrão)
Era um dia, era claro, quase meio
Encerrar meu cantar já convém
Prometendo um novo ponteio
Certo dia que sei por inteiro
Eu espero, não vai demorar
Este dia estou certo que vem
Digo logo o que vim buscar
Correndo no meio do mundo
Não deixo a viola de lado
Vou ver o tempo mudado
E um novo lugar pra cantar

Quem me dera agora
Eu tivesse a viola pra cantar
Quem me dera agora
Eu tivesse a viola pra cantar

11 - VOCEÊ VAI GOSTAR

Fiz uma casinha branca
Lá no pé da serra
Prá nós dois morar
Fica perto da barranca

Do Rio Paraná
O lugar é uma beleza,
Eu tenho certeza
Você vai gostar
Fiz uma capela
Bem do lado da janela
Prá nós dois rezar
Quando for dia de festa
Você veste o seu vestido de algodão
Quebro o meu chapéu na testa
Para arrematar as coisas do leilão
Satisfeito eu vou levar
Você de braço dado atrás da procissão
Vou com meu terno riscado
Uma flor do lado

E meu chapéu na mão

TOCANDO EM FRENTE

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso
porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte,
mais feliz quem sabe

Eu só levo a certeza
de que muito pouco eu sei
Ou nada sei ...
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor prá poder pulsar
É preciso paz prá poder sorrir
É preciso chuva para florir

Penso que cumprir a vida
seja simplesmente
Compreender a marcha
e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro
levando a boiada
Eu vou tocando os dias
pela longa estrada eu sou
Estrada eu vou ...

Todo mundo ama um dia,
todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora
Cada um de nós compõe
a sua própria história
E cada ser em si carrega
o dom de ser capaz
De ser feliz ...

12 - CAÇADOR

I. Mandei "fazê" uma canoa
Fundo preto e barra clara
Dois remo de guaratã

E um varejão de guaiçara
Ai, ai, o apoito pesa uma arroba
Jogo n’água o bote pára.
E uma trela de cachorro
O Marengo e Caiçara
A sua especialidade corre anta e capivara
Ai, ai, "sorto" os cachorro no rastro,
Vai rebentando taquara.

Eu tenho uma cartucheira
De qualidade bem rara
É uma dois-cano trunchado
Ai, ai, anta deita na fumaça
Na hora que ela dispara

A anta se apixa a n’água
Na correnteza não para
Vai com a cabeça de fora
E à dois cano ela dispara
Ai, ai, a bicha francheia n’água
É só fisgar ela na vara.

Do couro eu tranço um laço
Cabeçada e rédea cara
A carne eu vendo no açougue
Mas pro gasto "nóis" separa
Ai, ai, também faço meus pagode
Nas noite de lua clara.
Que até pranchão ela vara

PESCADOR E CATIREIRO

Comprei uma mata virgem
Do Coronel Bento Lira
Fiz um rancho de barrote
Amarrei com cipó cambira
Fiz na beira da lagoa
Só para pescar traíra

Eu não me incomodo
Que me chamem de caipira
No lugar que eu chego e canto
Muita gente admira

Canoa fiz de paineira
Varejão de guaiuvira
A poita pesa uma arroba
Dois remos de sucupira
Se jogo a tarrafa n’água
Sozinho um homem não tira
Capivara é bicho arisco
Quando cai na minha mira
Puxo o arco e jogo a flexa
Lá no barranco revira

Eu sou grande pescador
Também gosto de um catira
Quando eu entro num pagode
Não tem quem não se admira
No repique da viola
Cantando o povo delira
Se a tristeza está na festa
Eu chego ela se retira
Bato palma e bato o pé
Até as moça suspira

Muita gente não conhece
O cantar da curruíra
Nem sabe o gosto que tem
A pinga com sucupira
Morando lá na cidade
Não se come cambuquira
É por isso que eu gosto
Do sistema do caipira
Pode até ficar de fogo
Ele não conta mentira

15 - SAUDADES DE ARARAQUARA

Eu parti de Araraquara
Com destino pra Goiás
Quando eu vim da minha terra
Travessei Minas Gerais
Eu passei Campina Triste
Lagoa dos Ananás
Os olhos que lá me viram
De certo não me vêem mais

Fiz a minha embarcação
Lá na estação do Brás
Meu amor me procurava
Notícias pelos jornais
Eu padeço ela padece
Padecemos os dois iguais
Quem partiu leva saudade
Prá quem fica é muito mais

Eu olhei para o horizonte
Avistei certos sinais
Que as estrelas vão correndo
Deixando raio prá trás
Eu te quis inda te quero
Cada vez querendo mais
Os agrado de outro amor
Para mim não satisfais
O meu peito é um retiro
Onde meu suspiro vai
Meu coração é um cuitelo
Que do seu jardim não sai
Que vive beijando a rosa
Onde que o sereno cai
Adeus minha rosa branca
Adeus para nunca mais

PEITO SADIO

Foi às quatro horas da manhã
Meu cachorro de guarda latiu
Levantei para ver o que era
E vesti meu casaco de frio
Então vi que chegou um mensageiro
Amuntado num burro turdilho
Apeou e me disse bom dia
O bolso da bardana ele abriu
Uma carta o rapaz me entregou
E de novo amuntou e na estrada sumiu

Dei a carta pro meu irmão ler
Ele leu me olhando sorriu
É convite prá nóis ir na festa
Vai haver um grande desafio
O meu pai já correu no vizinho
Foi chamar o vovô e o titio
Nóis cheguemo a pular de contente
Lá em casa ninguém mais dormiu
Prá quebrá aqueles campeonato
Nem com o sindicato ninguém conseguiu

Violeiro que mandou convite
Mora lá do outro lado do rio
Eles pensa que nóis num vai lá
Mas nóis semos caboclo de brio
A peteca aqui do nosso lado
Por enquanto no chão não caiu
Quando nóis cheguemo no catira
Os mais fraco na hora sumiu
Só cantemos moda de campeão
E os tar que era bão nem sequer reagiu

Perguntaram ao dono da festa
Onde foi que o senhor conseguiu
Esses tar violeiro famoso
Que as moda de nóis engoliu
O festeiro ficou pensativo
E mordeu no cigarro e cuspiu
Voceis são dois caboclo batuta
Quem falou podes crê não mentiu
Teve alguém que cantá exprimentou
Mais o peito falhô e a voz não saiu

As viola nóis faiz de encomenda
Nosso peito é tratado e sadio
Já cantemos três noite seguida
E as moda nóis não repitiu
Quem repete é relógio de igreja
E o triste cantar do Tiziu
E agora com essa vitória
Ainda mais nossa fama subiu
E voceis não deve discutir
Se viemos aqui foi voceis quem pediu

16 - VIDE, VIDA MARVADA

Corre um boato aqui donde eu moro
Que as mágoas que eu choro são mal ponteadas
Que no capim mascado do meu boi
A baba sempre foi santa e purificada
Diz que eu rumino desde menininho
Fraco e mirradinho a ração da estrada
Vou mastigando o mundo e ruminando
E assim vou tocando essa vida marvada

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remédio pros meus desengano
É que a viola fala alto no meu peito, mano
E toda mágoa é um mistério fora deste plano
Prá todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pruma visitinha

Que no verso e no reverso da vida inteirinha
Há de me encontrar num cateretê
Há de me encontrar num cateretê

Tem um ditado dito como certo
Que cavalo esperto não espanta a boiada
E quem refuga o mundo resmungando
Passará berrando essa vida marvada
Compadi meu que inveieceu cantando
Diz que ruminando dá pra ser feliz
Por isso eu vagueio ponteando, e assim
Procurando a minha Flor-de-Liz

17 - ODE À VIOLA

Eu amo tanto a viola
Que chego a ser extravagante
Drumo cum ela abraçado
Pra ter sonhos delirante

Inté fiz um juramento
Invocando o bão Jesuis
Pra quando eu morrê, a viola
Seja feita a minha cruiz

Uma cruiz leve e trançada
De corda branca e amarela
Pra mode o vento batendo
Repicá (passeá) nas corda dela

E se eu tivé permissão
De escuitá os seus gemido,
Que eu possa cantá cum ela
Num duêto comovido

Cunvidando os "violero"
Pra cantá nossas mazelas
Ponteando tudo junto
Numa orquestração singela
Pois, se uma viola é bonito,
Que dirá um montão delas.

EU, A VIOLA E DEUS

Eu, vim me embora
E na hora cantou um passarinho
Porque eu vim sozinho
Eu, a Viola e Deus
Vim parando assustado
Espantado com as pedras do caminho
Cheguei bem cedinho
A Viola ,eu e Deus
Esperando encontrar o amor
Que é das velhas toadas canções
Feito as modas da gente cantar
Nas quebradas dos grandes sertões
Na poeira do velho estradão
Deixei marcas do meu coração
E nas palmas da mão e do pé
Os catiras de uma mulher
Hei ! essa hora da gente
ir-se embora é doída
Como é dolorida
Eu a viola e Deus