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| Ficha Musical |
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Regente: Rui Torneze
Orquestra Paulistana de Viola Caipira:
Naipe de Solo:
Luciano Cordeiro, Fabíola Mirella, Andreis Bassi, Júlio Cordeiro, Lucas Torneze, Wesley Naberezny, Sérgio Zéx, Robson Russo, Ighor Aguila, Ari Freitas, Orlando Leitão.
Naipe de Base:
Cláudio Rugene, Beto Moschkovich,Arthur Rovida, Cláudio Lacerda, Mumbuka, Edmundo Graballos, Hermínio, Malícia, Filipe Vidoca, Valmir Rosa, Flávio Aparecido, Juliano Mola, Jorge Augustus, José Ramalho, Edison Hansen, Daniel Zanzini, Vinícius Lanna, Fábio Manfreddi, Isnard de Carvalho, Renato Rocha, Celson Lorena, Tharses Camargo, José Santana, Juliana Bertin, Cristiano Alexandre, Décio Carratu, Jean Carlos, Benedito Alves, Mário Luiz, Reinaldo Silvério, Paulo Theodoro, Léo de Lima, Eduardo Borsatti, Augusto César, Ailton Rios, Aluísio Salge, Toninho de Jesus, Ivan Luis,Raimundo Cândido, Donizetti Assunção, José Carlos Vieira, Neusa Mariano. |
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| Ficha Técnica |
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PRODUZIDO POR: LÉO STINGHEN E RUI TORNEZE DIREÇÃO MUSICAL E ARRANJOS: RUI TORNEZE ASSISTENTES DA REGENCIA: ORLANDO LEITÃO E SÉRGIO ZÉX
GRAVADO AO VIVO NO THEATRO SÃO PEDRO, SÃO PAULO, NOS DIAS 4, 5 E 6 DE OUTUBRO DE 2002, POR AUDIOMOBILE DIGITAL - UNIDADE MÓVEL. SUPERVISÃO TÉCNICA: ENG. EGIDIO CONDE. ENGENHEIRO DE GRAVAÇÃO: CARLOS SUSSUMU MINAMI (ARU). ASSISTENTES: ERNANI NAPOLITANO, FERNANDO FERRARI.
FOTOS: MYRIAN FOGAÇA
PROJETO GRÁFICO: JANINE HOUARD
AGRADECIMENTOS: ROLANDO BOLDRIN, FERNANDO CALVOZO, AKIKO OYAFUSO, DOLORES MANZONI, ALBERTO VICCARI, MARITTA ARAÚJO, ALIDÊ BELUZZO, ANTONIO JIACOMINI, LUIS CARLOS PEPINELI, FÁBIO RIBEIRO, LUIS FERNANDO BORGES, CÉLIO FRANÇA E JOSÉ RICCI
CONTATO PARA SHOWS: (11) 6682-7780
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| Letras |
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1 - HINO NACIONAL BRASILEIRO
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante, E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Brilhou no céu da Pátria nesse instante. Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte ! Ó Pátria amada, idolatrada, Salve ! Salve ! Brasil, um sonho intenso, um raio vívido, De amor e de esperança à terra desce, Se em teu formoso céu risonho e límpido, A imagem do Cruzeiro resplandece Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso, E o teu futuro espelha essa grandeza, Terra adorada entre outras mil, és tu, Brasil, Ó Pátria amada ! Dos filhos deste solo, és mãe gentil, Pátria amada, Brasil ! Deitado eternamente em berço esplêndido Ao som do mar e à luz do céu profundo, Fulguras, ó Brasil, florão da América, Iluminado ao sol do Novo Mundo ! Do que a terra mais garrida, Teus risonhos lindos campos têm mais flores; Nossos bosques têm mais vida Nossa vida, no teu seio, mais amores, Ó Pátria amada, idolatrada, salve ! salve ! Brasil, de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado, E diga o verde louro desta flâmula Paz no futuro e glória no passado. Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte. Terra adorada entre outras mil, És tu, Brasil, ó Pátria amada ! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil !
4 - ORA VIVA SÃO GONÇALO
Este é o primeiro verso Que nesta casa eu canto Já desponta a madrugada } Padre, Filho, Esprilto Santo } Ora viva São Gonçalo, ( 2 x )
São Gonçalo de Amarante Protetor dos namorados Trago uma fita no peito Coração tão amarrado Coração tão orgulhoso Agora danço um jingado Prá louvar meu São Gonçalo Protetor dos namorados Ora viva São Gonçalo ( 2 x )
Este é o segundo verso Que nesta casa eu canto Já desponta a madrugada Padre, Filho, Esprilto Santo Ora viva São Gonçalo ( 2 x ) São Gonçalo de Amarante Protetor dos casamentos Morena cheia de fita Pisando com elegância Meu santo amor me dê muito De casamento distância Ora viva São Gonçalo Padre, Filho, Esprilto Santo Ora viva São Gonçalo ( 2 x ) Este é o terceiro verso Que nesta casa eu canto Já desponta a madrugada Padre, Filho, Esprilto Santo Ora viva São Gonçalo ( 2 x ) São Gonçalo de Amarante Protetor dos violeiros Se um dia eu chegar no céu Viola entra primeiro Viola cheia de fitas, Tá dengosa, tá bonita Prá louvar meu São Gonçalo Protetor dos violeiros Ora viva São Gonçalo ( 2 x )
Este é o derradeiro verso Que nesta casa eu canto Já desponta a madrugada Padre, Filho, Esprilto Santo
5 - SAUDADE DA MINHA TERRA
De que me adianta viver na cidade Se a felicidade não me acompanhar Adeus paulistinha do meu coração Lá pro meu sertão eu quero voltar Ver a madrugada quando a passarada Fazendo alvorada começa a cantar Com satisfação, arreio o burrão Cortando o estradão saio a galopar E vou escutando o gado berrando Sabiá cantando no Jequitibá
Por Nossa Senhora, meu sertão querido Vivo arrependido por ter te deixado Nesta nova vida aqui da cidade De tanta saudade eu tenho chorado Aqui tem alguém, diz que me quer bem Mas não me convém, eu tenho pensado E digo com pena, mas esta morena Não sabe o sistema em que fui criado Estou aqui cantando, de longe escutando Alguém está chorando de rádio ligado
Que saudade imensa do campo e do mato Do manso regato que corta as campinas Lá aos domingos, passear de canoa Na linda lagoa de águas cristalinas Que doces lembranças, daquelas festanças Onde tinha danças e lindas meninas Eu vivo hoje em dia sem ter alegria O mundo judia mas também ensina Estou contrariado mas não derrotado Eu sou bem guiado pelas mãos divinas
Prá minha mãezinha já telegrafei Que já me cansei de tanto sofrer Nesta madrugada estarei de partida Prá terra querida que me viu nascer Já ouço sonhando o galo cantando O nhambu piando no escurecer A lua prateada clareando a estrada A relva molhada desde o anoitecer Eu preciso ir prá ver tudo ali Foi lá que nasci, lá quero morrer !
6 - ENCANTOS DA NATUREZA
Tu que não tiveste a felicidade Deixa a cidade, vem conhecer Meu sertão querido, meu reino encantado Meu berço adorado que me viu nascer Venha o mais depressa, não fique pensando Estou te esperando para te mostrar... Vou mostrar os lindos rios de águas clara E as belezas raras do nosso luar
Quando a lua nasce por detrás da mata Fica cor de prata a imensidão Então fico horas e horas olhando A lua banhando lá no ribeirão Muitos não importam com esse luar Nem lembram de olhar o luar na serra ... Mas estes não vivem são seres humanos Que estão vegetando em cima da Terra
Quando a lua esconde logo rompe A aurora vou dizer agora do amanhecer Raios vermelhados riscam o horizonte O sol lá no monte começa a nascer Lá na mata canta toda a passarada E lá na paiada pia o chororó.... O rei do terreiro abre a garganta Bate a asa e canta em cima do paiol
Quando o sol esquenta cantam cigarras Em grande algazarra na beira da estrada Lindas borboletas de variadas cores Vem beijar as flores a desabrochar Este pedacinho do chão encantado Foi abençoado por Nosso Senhor ... Que nunca nos deixa faltar no sertão Saúde , união, a paz e o amor
7 - PÉ DE IPÊ
Eu pensei que adivinhava, quando, às veiz, eu te chamava De muié sem coração, minha voz, assim queixosa, vancê é a mais formosa Das caboclas do sertão, minha voz, assim queixosa, vancê é a mais formosa
Das caboclas do sertão
Certa veiz, tive um desejo de prová o mé de um beijo Da boquinha de vancê, lá no trio da baixada, Pertinho da incruziada debaixo de um pé de ipê, Lá no trio da baixada, pertinho da incruziada, debaixo de um pé de ipê Mas o destino é traiçoeiro e me deixou na solidão Foi s´imbora pra cidade, me deixou triste sodade, Neste pobre coração, foi s‘imbora prá cidade, Me deixo triste sodade, neste pobre coração
Quando eu passo a incruziada, ainda avisto o pé de ipê, Ainda canta um passarinho, me faiz alembrá sozinho Aquele dia com vancê. Ainda canta um passarinho, me faiz alembrá sozinho Aquele dia com vancê.
8 - TRISTE BERRANTE
Já vai bem longe esse tempo eu sei Tão longe que até penso que eu sonhei Que lindo quando a gente ouvia distante O som daquele triste berrante De um boiadeiro a lidar
E eu ficava ali na beira da estrada Vendo caminhar a boiada Até o último boi passar Ali passava boi, passava boiada Tinha uma palmeira na beira da estrada Onde foi cravado muito coração
Mas sempre foi assim e sempre será O novo vem e o velho tem que parar O progresso cubriu a poeira da estrada Esse tudo que é meu nada Hoje tenho que acatar e chorar E mesmo tendo gente e carro passando Meus olhos estão enxergando Uma boiada passar
9 - REIZADO
O galo cantou no Oriente, ai, ai, ai, ai Surgiu a estrela guia, ai ai Anunciando à humanidade, ai, ai, ai, ai Que o menino nascia ai ,ai ,ai ,ai Em uma estrebaria, ai, ai
Vinte e cinco de dezembro Ai, ai, ai, ai Não se dorme no colchão, ai, ai Deus menino teve a cama Ai, ai, ai, ai De foia seca do chão,ai,ai,ai,ai Prá nossa salvação, ai, ai Senhora dona da casa Ai, ai, ai, ai Óia a chuva no telhado, ai, ai Venha ver o Deus menino Ai, ai, ai, ai Como está todo molhado, ai,ai,ai,ai Os três Reis a seu lado ai, ai
Deus lhe pague a bela oferta Ai, ai, ai, ai Que vos deu com alegria, ai, ai O Divino Santo Reis Ai, ai, ai, ai São José , Santa Maria, ai,ai,ai,ai Há de ser vossa guia, ai, ai
ENCONTRO DE BANDEIRAS
Ai, que bandeira é essa , ai, ai Na porta da sua morada Aonde mora o Cálix Bento E a Hóstia Consagrada E a Hóstia Consagrada, eh, eh, eh ! Que encontro tão bonito, ai, ai Que fizemo aqui agora Os três Reis do Oriente São José , Nossa Senhora São José , Nossa Senhora, eh, eh, eh !
As Bandeira vai-se embora, ai, ai As fita vão avoando Se despede do festeiro Prá voltar no outro ano Prá voltar no outro ano, eh, eh, eh !
10 - TRENZINHO DO CAIPIRA
Lá vai o trem com o menino Lá vai a vida a rodar Lá vai ciranda e destino
Cidade, noite a girar Lá vai o trem sem destino Pró dia novo encontrar Correndo vai pela terra Vai pela serra, vai pelo mar Correndo entre as estrelas a voar Cantando pela serra ao luar , no ar ... No ar ..... No ar .....
PONTEIO
Era um , era dois , era cem Era o mundo chegando e ninguém Que soubesse que eu sou violeiro Que me desse ou amor ou dinheiro
Era um, era dois, era cem
E vieram pra me perguntar Ô , você, de onde vai, de onde vem Diga logo o que tem pra contar Parado no meio do mundo Senti chegar meu momento Olhei pro mundo e nem via
Nem sombra, nem sol, nem ven......to
Quem me dera agora Eu tivesse a viola pra cantar (intr.)
Era um dia, era claro, quase meio Era um canto calado, sem ponteio Violência , viola , violeiro Era morte em redor, mundo inteiro Era um dia, era claro, quase meio Tinha um que jurou me quebrar Mas não me lembro de dor, nem receio Só sabia das ondas do mar Jogaram a viola no mundo Mas fui lá no fundo busca Se tomo a viola eu ponteio
Meu canto não posso parar, não (refrão) Era um dia, era claro, quase meio Encerrar meu cantar já convém Prometendo um novo ponteio Certo dia que sei por inteiro Eu espero, não vai demorar Este dia estou certo que vem Digo logo o que vim buscar Correndo no meio do mundo Não deixo a viola de lado Vou ver o tempo mudado E um novo lugar pra cantar
Quem me dera agora Eu tivesse a viola pra cantar Quem me dera agora Eu tivesse a viola pra cantar
11 - VOCEÊ VAI GOSTAR
Fiz uma casinha branca Lá no pé da serra Prá nós dois morar Fica perto da barranca
Do Rio Paraná O lugar é uma beleza, Eu tenho certeza Você vai gostar Fiz uma capela Bem do lado da janela Prá nós dois rezar Quando for dia de festa Você veste o seu vestido de algodão Quebro o meu chapéu na testa Para arrematar as coisas do leilão Satisfeito eu vou levar Você de braço dado atrás da procissão Vou com meu terno riscado Uma flor do lado
E meu chapéu na mão
TOCANDO EM FRENTE
Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei Ou nada sei ... Conhecer as manhas e as manhãs O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor prá poder pulsar É preciso paz prá poder sorrir É preciso chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente Compreender a marcha e ir tocando em frente Como um velho boiadeiro levando a boiada Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu sou Estrada eu vou ...
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora Um dia a gente chega e no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua própria história E cada ser em si carrega o dom de ser capaz De ser feliz ...
12 - CAÇADOR
I. Mandei "fazê" uma canoa Fundo preto e barra clara Dois remo de guaratã
E um varejão de guaiçara Ai, ai, o apoito pesa uma arroba Jogo n’água o bote pára. E uma trela de cachorro O Marengo e Caiçara A sua especialidade corre anta e capivara Ai, ai, "sorto" os cachorro no rastro, Vai rebentando taquara.
Eu tenho uma cartucheira De qualidade bem rara É uma dois-cano trunchado Ai, ai, anta deita na fumaça Na hora que ela dispara
A anta se apixa a n’água Na correnteza não para Vai com a cabeça de fora E à dois cano ela dispara Ai, ai, a bicha francheia n’água É só fisgar ela na vara. Do couro eu tranço um laço Cabeçada e rédea cara A carne eu vendo no açougue Mas pro gasto "nóis" separa Ai, ai, também faço meus pagode Nas noite de lua clara. Que até pranchão ela vara
PESCADOR E CATIREIRO
Comprei uma mata virgem Do Coronel Bento Lira Fiz um rancho de barrote Amarrei com cipó cambira Fiz na beira da lagoa Só para pescar traíra
Eu não me incomodo Que me chamem de caipira No lugar que eu chego e canto Muita gente admira
Canoa fiz de paineira Varejão de guaiuvira A poita pesa uma arroba Dois remos de sucupira Se jogo a tarrafa n’água Sozinho um homem não tira Capivara é bicho arisco Quando cai na minha mira Puxo o arco e jogo a flexa Lá no barranco revira
Eu sou grande pescador Também gosto de um catira Quando eu entro num pagode Não tem quem não se admira No repique da viola Cantando o povo delira Se a tristeza está na festa Eu chego ela se retira Bato palma e bato o pé Até as moça suspira
Muita gente não conhece O cantar da curruíra Nem sabe o gosto que tem A pinga com sucupira Morando lá na cidade Não se come cambuquira É por isso que eu gosto Do sistema do caipira Pode até ficar de fogo Ele não conta mentira
15 - SAUDADES DE ARARAQUARA
Eu parti de Araraquara Com destino pra Goiás Quando eu vim da minha terra Travessei Minas Gerais Eu passei Campina Triste Lagoa dos Ananás Os olhos que lá me viram De certo não me vêem mais
Fiz a minha embarcação Lá na estação do Brás Meu amor me procurava Notícias pelos jornais Eu padeço ela padece Padecemos os dois iguais Quem partiu leva saudade Prá quem fica é muito mais
Eu olhei para o horizonte Avistei certos sinais Que as estrelas vão correndo Deixando raio prá trás Eu te quis inda te quero Cada vez querendo mais Os agrado de outro amor Para mim não satisfais O meu peito é um retiro Onde meu suspiro vai Meu coração é um cuitelo Que do seu jardim não sai Que vive beijando a rosa Onde que o sereno cai Adeus minha rosa branca Adeus para nunca mais
PEITO SADIO
Foi às quatro horas da manhã Meu cachorro de guarda latiu Levantei para ver o que era E vesti meu casaco de frio Então vi que chegou um mensageiro Amuntado num burro turdilho Apeou e me disse bom dia O bolso da bardana ele abriu Uma carta o rapaz me entregou E de novo amuntou e na estrada sumiu
Dei a carta pro meu irmão ler Ele leu me olhando sorriu É convite prá nóis ir na festa Vai haver um grande desafio O meu pai já correu no vizinho Foi chamar o vovô e o titio Nóis cheguemo a pular de contente Lá em casa ninguém mais dormiu Prá quebrá aqueles campeonato Nem com o sindicato ninguém conseguiu Violeiro que mandou convite Mora lá do outro lado do rio Eles pensa que nóis num vai lá Mas nóis semos caboclo de brio A peteca aqui do nosso lado Por enquanto no chão não caiu Quando nóis cheguemo no catira Os mais fraco na hora sumiu Só cantemos moda de campeão E os tar que era bão nem sequer reagiu Perguntaram ao dono da festa Onde foi que o senhor conseguiu Esses tar violeiro famoso Que as moda de nóis engoliu O festeiro ficou pensativo E mordeu no cigarro e cuspiu Voceis são dois caboclo batuta Quem falou podes crê não mentiu Teve alguém que cantá exprimentou Mais o peito falhô e a voz não saiu
As viola nóis faiz de encomenda Nosso peito é tratado e sadio Já cantemos três noite seguida E as moda nóis não repitiu Quem repete é relógio de igreja E o triste cantar do Tiziu E agora com essa vitória Ainda mais nossa fama subiu E voceis não deve discutir Se viemos aqui foi voceis quem pediu
16 - VIDE, VIDA MARVADA
Corre um boato aqui donde eu moro Que as mágoas que eu choro são mal ponteadas Que no capim mascado do meu boi A baba sempre foi santa e purificada Diz que eu rumino desde menininho Fraco e mirradinho a ração da estrada Vou mastigando o mundo e ruminando E assim vou tocando essa vida marvada
É que a viola fala alto no meu peito humano E toda moda é um remédio pros meus desengano É que a viola fala alto no meu peito, mano E toda mágoa é um mistério fora deste plano Prá todo aquele que só fala que eu não sei viver Chega lá em casa pruma visitinha
Que no verso e no reverso da vida inteirinha Há de me encontrar num cateretê Há de me encontrar num cateretê
Tem um ditado dito como certo Que cavalo esperto não espanta a boiada E quem refuga o mundo resmungando Passará berrando essa vida marvada Compadi meu que inveieceu cantando Diz que ruminando dá pra ser feliz Por isso eu vagueio ponteando, e assim Procurando a minha Flor-de-Liz
17 - ODE À VIOLA
Eu amo tanto a viola Que chego a ser extravagante Drumo cum ela abraçado Pra ter sonhos delirante
Inté fiz um juramento Invocando o bão Jesuis Pra quando eu morrê, a viola Seja feita a minha cruiz
Uma cruiz leve e trançada De corda branca e amarela Pra mode o vento batendo Repicá (passeá) nas corda dela
E se eu tivé permissão De escuitá os seus gemido, Que eu possa cantá cum ela Num duêto comovido
Cunvidando os "violero" Pra cantá nossas mazelas Ponteando tudo junto Numa orquestração singela Pois, se uma viola é bonito, Que dirá um montão delas.
EU, A VIOLA E DEUS
Eu, vim me embora E na hora cantou um passarinho Porque eu vim sozinho Eu, a Viola e Deus Vim parando assustado Espantado com as pedras do caminho Cheguei bem cedinho A Viola ,eu e Deus Esperando encontrar o amor Que é das velhas toadas canções Feito as modas da gente cantar Nas quebradas dos grandes sertões Na poeira do velho estradão Deixei marcas do meu coração E nas palmas da mão e do pé Os catiras de uma mulher Hei ! essa hora da gente ir-se embora é doída Como é dolorida Eu a viola e Deus
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