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Cida Moreira canta Chico Buarque Intérprete(s) Principal(is):
Cida Moreira
Compositor(es) Principal(is):
Chico Buarque
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KCD054
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Depois de longa temporada no palco, este show de Cida foi para o estúdio com destaque para o lado teatral de Chico - Geni e o Zepelin e Gota D’Água - e suas parcerias com Edú Lobo - Choro Bandido e Beatriz.
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| Ficha Musical |
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Gil Reyes (piano e clarineta) Cida Moreira (piano e voz) Fabio
Tagliaferri (viola, violão, baixo) Sérgio Chica (percussão) Toninho
Ferragutti (acordeon) Lincoln Antonio (piano) Mario Manga (cello) Mauro
Continentino (baixo) |
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| Ficha Técnica |
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Produzido por Cida Moreira e Mario de Aratanha.
Direção Musical de Gil Reyes.
Produtor Fonográfico: Kuarup Discos.
Arranjos: Gil Reyes (exceto arranjo de Tatuagem por Fábio Tagliaferri).
Gravado em setembro e outubro de 1992, por Pedro Fontanari no estúdio A Voz do Brasil, São Paulo.
Geni e o Zepelin gravada ao vivo no auditório de Furnas, em setembro de 1991, por Vitor
Farias e Ricardo Garcia.
Mixado por Vitor Farias no estúdio Nas Nuvens, Rio de Janeiro.
Agradecimento muito especial a Tico Terpins e Maria Clara Jorge.
Capa: Herton Roitman, a partir de F. Floris, "La Famille van Bergheim" (Lierre), Século XV.
Foto Chico de Antonio Augusto Fontes.
Direção artística: Janine Houard. |
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| Letras |
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Morte e Vida Severina
(abertura)
(Chico Buarque)
Gil Reyes (clarineta), Cida Moreyra (piano e voz)
Todo o Sentimento
(Cristóvão Bastos/Chico Buarque)
Preciso não dormir
Até se acostumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo de delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei como encantada
Ao lado seu.
Gil Reyes (piano), Fabio Tagliaferri (viola), Cida Moreyra (voz)
Choro Bandido
(Edu Lobo/Chico Buarque)
Mesmo que os cantores sejam
falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas serão
surdas
Quando um Deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos e bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim (bis)
Mesmo que você feche os ouvidos
Eas janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
Eis que menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim (bis)
Mesmo que os romances sejam
falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores são bons.
Gil Reyes (piano), Fabio Tagliaferri (viola), Cida Moreyra (voz)
O Malandro
(Kurt Weill/Bertolt Brecht, versão livre de Chico Buarque)
O Malandro/ Na dureza
Senta à mesa/ Do café
Bebe um gole/ De cachaça
Acha graça/ E dá no pé.
Sérgio Chica(percussão), Cida Moreyra (voz)
Estação Derradeira
(Chico Buarque)
Rio de ladeiras
Civilização encruzilhada
Cada ribanceira é uma canção
À sua maneira
Com ladrão
Lavadeiras, honra, tradição
Fronteiras, munição pesada
São Sebastião crivado
Nublai minha visão
Na noite da grande
Fogueira desvairada
Quero ver a Mangueira
Derradeira estação
Quero ouvir sua batucada, ai, ai
Rio do lado sem beira
Cidadãos
Inteiramente loucos
Com carradas de razão
À sua maneira
De calção
Com bandeiras sem explicação
Carreiras de paixão danada
São Sebastião crivado
Nublai minha visão
Na noite da grande
Fogueira desvairada
Quero ver a Mangueira
Derradeira estação
Quero ouvir sua batucada, ai, ai.
Sérgio Chica (percussão), Fabio Tagliaferri (violão), Cida Moreyra (voz)
Angélica
(Miltinho/Chico Buarque)
Quem é essa mulher
Que canta sempre este estribilho
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo
Só queira agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino
Queira cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar.
Gil Reyes (clarineta), Fabio Tagliaferri (viola), Cida Moreyra (voz)
Beatriz
(Edu Lobo/Chico Buarque)
Olha, será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no Sétimo Céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida.
Gil Reyes (piano), Cida Moreyra (voz)
Geni e o Zepelin
(Chico Buarque)
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme Zepelin
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralizada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelin gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: Mudei de idéia
Quando vi nesta cidade
Tanto horror iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
E isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com um homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelin prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita prá apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Cida Moreyra (piano e voz)
Soneto
(Chico Buarque)
Por que me descobriste
no abandono
Com que tortura
me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem,
morta de sono
Com que mentira abriste
meu segredo
De que romance antigo
me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem,
morta de medo
Por que não me deixaste
adormecida
E me indicaste o mar,
com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu
porão sombrio
Com que direito
me ensinaste a vida
Quando eu estava bem,
morta de frio.
Toninho Ferragutti (acordeon), Cida Moreyra (voz)
Suburbano Coração
(Chico Buarque)
Quem vem lá
Que horas são
Isso não são horas, que horas são
É você, é o ladrão
Isso não são horas, que horas são
Quem vem lá
Blim blem blão
Isso não são horas, que horas são
A casa está bonita
A dona está demais
A última visita
Quanto tempo faz
Balançam os cabides
Lustres se acenderão
O amor vai pôr os pés
No conjugado coração
Será que o amor se sente em casa
Vai sentar no chão
Será que vai deixar cair
A brasa no tapete coração
Quando aumentar a fita
As línguas vão falar
Que a dona tem visita
E nunca vai casar
Se enroscam persianas
Louças se partirão
O amor está tocando
O suburbano coração
Será que o amor não tem programa
Ou ama com paixão
Mulher virando no sofá
Sofá virando cama coração
O amor já vai embora
Ou perde a condução
Será que não repara
A desarrumação
Que tanta cerimônia
Se a dona já não tem
Vergonha do seu coração.
Lincoln Antonio (piano), Gil Reyes (clarineta),Toninho Ferragutti (acordeon), Cida Moreyra (voz)
Mar e Lua
(Chico Buarque)
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
E à beira-mar.
Gil Reyes (clarineta), Cida Moreyra (voz)
Tatuagem
(Chico Buarque/Ruy Guerra)
Quero ficar no teu corpo
feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar
em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava
Quero brincar no teu corpo
feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exautos
do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço
Quero pesar feito cruz
nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha
e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes.
Fabio Tagliaferri (violão), Gil Reyes (clarineta), CIida Moreyra (voz)
Morro Dois Irmãos
(Chico Buarque)
Dois Irmãos
quando vai alta a madrugada
E a teus pés
vão-se encostar os instrumentos
Aprendi a respeitar tua prumada
E desconfiar do teu silêncio
Penso ouvir a pulsação atravessada
Do que foi
e o que será noutra existência
É assim como se a rocha dilatada
Fosse uma concentração de tempos
É assim como se o ritmo do nada
Fosse, sim,
todos os ritmos por dentro
Ou, então,
como uma música parada
Sobre uma montanha em
movimento.
Fabio Tagliaferri (violão), Gil Reyes (clarineta), Cida Moreyra (voz)
A Voz do Dono e o Dono da Voz
(Chico Buarque)
Até quem sabe a voz do dono
Gostava do dono da voz
Casal igual a nós,
de entrega e de abandono
De guerra e paz, contras e prós
Fizeram bolas de acetato - de fato
Assim como nossos avós
O dono prensa a voz
a voz resulta um prato
Que gira para todos nós
O dono andava com outras doses
A voz era de um dono só
Deus deu ao dono os dentes,
Deus deu ao dono as nozes
Às vozes Deus só deu seu dó
Porém a voz ficou cansada após
Cem anos fazendo a santa
Sonhou se desatar de tantos nós
Nas cordas de outra garganta
A louca escorregava nos lençóis
Chegou a sonhar amantes
E, rouca, regalar os seus bemóis
Em troca de alguns brilhantes
Enfim, a voz firmou contrato
E foi morar com novo algoz
Queira-se pensar,
quueria ser um prato
Girar e se esquecer, veloz
Foi revelada na Assembléia - atéia
Aquela situação atroz
A voz foi infieltrocando de traquéia
E o dono foi perdendo a voz
E o dono foi perdendo a linha
que tinha
E foi perdendo a luz e além
E disse: Minha voz,
se vós não sereis minha
Vós não sereis de mais ninguém
(O que é bom para o dono é bom para a voz).
Gil Reyes (clarineta), Sérgio Chica (percussão, Fabio Tagliaferri (baixo),
Cida Moreyra (piano e voz)
Valsa Brasileira
( Edu Lobo/Chico Buarque)
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas para trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria e te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer.
Gil Reyes (piano), Fabio Tagliaferri (viola), Cida Moreyra (voz)
Bom Tempo
(Chico Buarque)
Um marinheiro me contou
Que a boa brisa me contou
Que vem aí bom tempo
Um pescador me confirmou
Que um passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo
Ando cansado da lida
Preocupada, corrida,
surrada, batida
Dos dias meus
Mas uma vez na vida
Eu vou viver a vida
Que eu pedi a Deus.
Sérgio Chica (percussão), Cida Moreyra (voz)
GotaD'Agua
(Chico Buarque)
Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue
quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui
de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água.
Mario Manga (cello), Gil Reyes (piano), Mauro Continentino (baixo), Sérgio
Chica(percussão), Cida Moreyra (voz)
Palavra de Mulher
(Chico Buarque)
Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te dixei jurando nunca mais
olhar prá trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se outra pretendia
um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada
a escada, a escada
Meu amor eu, vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa,
o Rio desabar
Pode ser que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera me espera
Eu vou voltar
Gil Reyes (piano), Mauro Continentino (baixo), Sérgio Chica (percussão),
Cida Moreyra (voz)
Valsinha
(Vinicius de Moraes/ Chico Buarque)
E o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz.
Lincoln Antonio (piano), Cida Moreyra (voz) |
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