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CD
 
Raphael Rabello & Dino 7 Cordas
Intérprete(s) Principal(is): Raphael Rabello - Dino 7 Cordas
Compositor(es) Principal(is):
<--Faixas em MP3.
KCD113
 
Antológico encontro de gerações, onde a sétima corda do violão une dois dos maiores instrumentistas do Brasil: Dino 7 Cordas, histórico companheiro de Jacob do Bandolim no Época de Ouro, e seu saudoso "discípulo" Raphael Rabello, que começou com o 7 cordas n’Os Carioquinhas e virou mito internacional no 6 cordas. Pixinguinha, Noel, Pernambuco, Nazareth, Lamartine e Garoto agradecem o resultado.
Faixas
Ficha Musical
Ficha Técnica
Apresentação
 
 
Faixas:
 
KCD113 - Raphael Rabello & Dino 7 Cordas Tempo Total: 39:44
01 Conversa de Botequim (Noel Rosa/ Vadico) 03:43
02 Jongo (João Pernambuco) 03:05
03 Escovado (Ernesto Nazareth) 04:12
04 Alma dos Violinos (Lamartine Babo/ Alcyr Pires Vermelho) 03:06
05 Um a Zero (Pixinguinha/ Benedito Lacerda) 06:46
06 Odeon (Ernesto Nazareth) 03:29
07 Sons De Carrilhões (João Pernambuco) 03:59
08 Segura Ele (Pixinguinha/ Benedito Lacerda) 03:44
09 Desvairada (Garoto) 03:47
10 Graúna (João Pernambuco) 04:50
11 Sonho de Magia (João Pernambuco) 04:03
 
 
Ficha Musical
 
  Raphael Rabello:violão/ guitar
Dino 7 Cordas: violão 7 cordas/ 7 strings guitar
Nas faixas Segura Ele, Conversa de Botequim, Graúna e 1 X 0
participações especiais de:
Jorginho do Pandeiro: pandeiro Neco do Cavaquinho: cavaquinho Celso Silva: cacheta, tamborim, agogô, reco-reco
 
 
 
Ficha Técnica
 
  Produção executiva: Peter Klam e Barry Powley
Direção artística: Raphael Rabello
Gravado no Estudio 2 - ODEON, RJ Dez 90 - Jan 91
Técnico de som : Nivaldo Duarte
Assistente técnico: Brum
Foto: Wilton Montenegro
Projeto Gráfico: Cristina Portella
 
 
 
Apresentação
 
  Pensei em abrir esta apresentação dizendo que se trata de um disco histórico. Hesitei, temendo a repetição de um lugar-comum, mas concluí: se o trabalho que realizo com mais prazer e dedicação é o de historiador da nossa música popular, não há como fugir dessa realidade indiscutível: o disco que reúne os violinistas Dino e Raphael Rabello é um capítulo tão importante na história da fonografia brasileira, que não tenho como sair dessa. Trata-se de um disco histórico. Portanto, peço ao leitor-ouvinte que resume este primeiro parágrafo para a frase "este é um disco histórico". Não é um chavão, porque são muito raros os discos históricos como este.

Imagine, companheiro, se Noel Rosa estivesse vivo e um produtor e um produtor conseguisse juntá-lo a Chico Buarque de Holanda num disco. Imaginou? Pois Dino e Raphael equivalem a Noel Rosa e a Chico Buarque, quando o assunto é o violão brasileiro. Não conheço, em matéria de música instrumental, nada que contenha mais criatividade, mais beleza, mais arte, mais brasilidade. Dino, o Noel Rosa do violão, chega a este disco depois de uma carreira de quase 60 anos, durante a qual acompanhou os maiores intérpretes brasileiros, de Orlando Silva a Jacob do Bandolim. Cantar ou tocar ao lado de Dino equivale a jogar futebol no mesmo time de Pelé. Nada se compara à arte que desenvolve em seu violão de sete cordas. Raphael Rabello, o Chico Buarque do violão, explodiu aos 13 anos de idade, também tocando violão de sete cordas num grupo juvenil denominado Os Carioquinhas. Hoje, aos vinte e tantos anos, com uma carreira de centenas de gravações e shows como acompanhante e intérprete, é um genial concertista de violão (agora, de seis cordas) a ponto de merecer aquela definição nada exagerada: Raphael Rabello não se compara, separe-se.

Eis os dois juntos (em algumas faixas, ao lado de Neco no cavaquinho, Jorginho no pandeiro e Celsinho na percussão), interpretando um repertório que é o sumo da música brasileira instrumental. E inovando. Quem poderia imaginar, por exemplo, que "1 x 0" ou o "Segura ele", ambos de Pixinguinha, apresentados por dois violões, tivesse mais energia do que a produzida por uma orquestra inteira? Outro detalhe fundamental, que pecorre o disco e que , sem dúvida, vai encantar os curtidores da melhor música instrumental brasileira, são as relações que Dino e Raphael estabelecem em todas as faixas, Raphael sola - e como sola! E Dino, ao mesmo tempo em que acompanha, também sola, aparecendo eventualmente na frente, outras vezes sublinhando a melodia, mais adiante estabelecendo um diálogo com Raphael, para, depois, reaparecer num contracanto. Dino e Raphael repetem aqueles momentos maravilhosos que Pixinguinha (no sax) e Benedito Lacerda (na flauta) oferecem em tempos inesquecíveis.

Eis Raphael e Dino interpretando Pixinguinha, João Pernambuco, Garoto, Alcyr Pires Vermelho, Lamartine Babo e Ernesto Nazareth. Poderia falar muito mais deste disco. Mas prefiro terminar, afirmando que tudo isso me proporcionou uma imensa sensação de felicidade.

(Sérgio Cabral)


I thought of opening this introduction by saying that this record is an hitoric one. A little afraid of repeating a common-place, I hesitated, but finally conclude: if the work I do with the greatest pleasure and devotion is that of a historian of popular Brazilian music, then there's no getting away from this undeniable fact: the record which brings together the guitarists Dino and Raphael marks such an important chapter in the history of the Brazilian recording industry that there's no avoiding it. So I would ask the reader-listener to go along with my appraisal that this indeed is an "historic record". This is no mere cliche, as historic records like this are something of a rarity.

Imagine if Noel Rosa were alive and a producer managed to put him together with Chico Buarque de Holanda on the same record. Can you imagine? Because Dino and Raphael are the equivalent of Noel Rosa and Chico Buarque when it comes to the Brazilian guitar. In terms of intrumental music, I know of no other which has more creativity, more beauty, more art, more Brazilianess. Dino, the Noel Rosa of the guitar, has released this record after a career of almost 60 years during which he has accompanied all the major Brasilian performers, from Orlando Silva to Jacob do Bandolim. To sing or play alongside Dino is like playing football in the same team as Pelé. Nothing can compare with the art of his seven-string guitar. Raphael Rabello, the Chico Buarque of the guitar burst into the limelight at age of 13, also playing the seven-string guitar in a teenage band called the Carioquinhas. Today, in his twenties, with a career comprising hundreds of recordings and shows as accompanist and solist, he is a brilliant concert performer (now with six strings), so much so that it wouldn't be going too far to say:
Raphael Rabello has no peer, he's in a class of his own.

Here they are together (on some tracks, alongside Neco on the "cavaquinho", Jorginho on the tambourine and Celsinho on percussion) interpreting a repertoire that is the very essence of brazilian instrumental music. And innovating too. Who would have thought, for example, that "1 x 0" or "Segura ele", both by Pixinguinha, performed by two guitars, had more vibrant energy than that produced by a whole orchestra. Another outstanding feature to be found on this record and which will undoubtedly enrapture aficionados of the best in Brazilian instrumental music, is the relation that Dino and Raphael establish on each of the tracks. Raphael plays solo - and what a solo! And Dino, at the same time as he accompanies, also plays solo, sometimes leading, at others underscoring the melody, later on establishing a dialogue with Raphael, to then reappear in counterpoint. Dino and Raphael repeat those marvellous moments that Pixinguinha (on sax) and Benedito Lacerda (on flute) served up in those never-to-be-forgotten days.

Raphael and Dino interpreting Pixinguinha, João Pernambuco, Garoto, Alcyr Pires Vermelho, Lamartine Babo and Ernesto Nazareth. I could go on and on about this record, but I'd rather wind up by saying that the whole thing gave me an immense feeling of pleasure.

Trans.: Geoff Gilbert