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Sivuca era conhecido nacional e internacionalmente como instrumentista, arranjador, compositor e produtor. Nascido em Itabaiana, Paraíba, aos 26 de maio de 1930, ganha do pai a primeira sanfona aos nove anos de idade.
Entre 1939 e 45, apresenta-se pelo interior do Nordeste. Vai então para o Recife, onde toca na Rádio Clube de Pernambuco durante três anos, e de Severino passa a ser conhecido como Sivuca. Em 1948 ingressa na Rádio Jornal do Comércio e estuda harmonia durante três anos com o maestro Guerra Peixe.
Entre 1950/52, faz temporadas na Rádio Record, em São Paulo, grava seu primeiro disco na Continental, Rio de Janeiro, e compõe Adeus Maria Fulô e Fogo Pagô em parceria com Humberto Teixeira. Continua no Recife até 1955. Nesse período, faz trilhas sonoras para novelas da Rádio Jornal do Comércio e lança outros discos pela Continental.
A partir de 1955 até 58, é contratado para tocar na Rádio Tupi e na recém-fundada TV Tupi — a primeira emissora de televisão do Brasil. Nessa época compõe, arranja e grava trilhas sonoras para dois filmes de Roberto Farias (Rico ri à toa e No Mundo da Lua) e realiza mais três LPs.
Faz sua primeira temporada na Europa em 1958, com o grupo Os Brasileiros, apresentando-se no Olímpia - Paris. No ano seguinte retorna à Europa, residindo em Lisboa e Paris até 1964. Em Portugal, como produtor, gera o primeiro disco de música Angolana, Africaníssimo, Sivuca/Duo Ouro Negro, logo sendo convidado para diretor da gravadora Valentim de Carvalho. Na França cria mais dois álbuns, ganhando o prêmio de melhor músico do ano, concedido pela imprensa francesa. Em seguida transfere-se para os Estados Unidos.
De 1965 a 1969 trabalha como instrumentista e diretor musical de Miriam Makeba, quando arranja e grava o sucesso internacional Pata-Pata. É aplaudido de pé no Carnegie Hall, em New York. Em 1968 inaugura o segundo canal de televisão da Suécia, época em que também grava vários discos.
Foi diretor musical de Harry Belafonte em 1970, em New York, além de tocar violão, teclados e sanfona. Em 1971, participa como arranjador e instrumentista em especial na NBC com Julie Andrews e Harry Belafonte. E em parceria com o compositor/arranjador Nelson Riddle escreve a quatro mãos o arranjo de uma canção que Julie Andrews gravou homenageando Vincent van Gogh. Grava o importante disco Belafonte...Live!, pela RCA em 1972, em Toronto, Canadá.
Nesta época grava dois discos pela Vanguard, sendo um deles o registro ao vivo de sua longa temporada no Village Gate, e outro, Joy, de uma peça musical que ficou em cartaz um ano em São Francisco, Chicago e New York. Além do disco Natural Feelings com o Hermeto Pascoal, Flora Purim e Airton Moreira.
Em 1973, faz a trilha sonora de seis curtas sobre Pelé e o futebol brasileiro para a TV Educativa Americana, sendo por isso indicado ao Grammy e ganho vários prêmios, inclusive da União Soviética. Também nessa época deixa sua marca de sanfona/voz no antológico solo improvisado no disco do Paul Simon e outro no de Bette Midler. Em Paris, 1976, grava especial para a TV francesa, com Harry Belafonte e Marcel Marceau.
Volta a morar no Brasil em 1976, no Rio. Realiza dezenas de turnês por todo o país; grava especiais para TV; ganha prêmios como arranjador, compositor e instrumentista; participa de festivais de diversos estilos; faz arranjos para dezenas de cantores; escreve, arranja e grava trilhas sonoras para filmes e álbuns de Renato Aragão (O Forró dos Trapalhões, Os Vagabundos Trapalhões, Serra Pelada). Registra mais nove LPs. na Copacabana Discos, além da gravação ao vivo do Seis e Meia do João Caetano, com Rosinha de Valença (RCA), outro com o Chiquinho do Acordeon, Todos os Sons (Phonogran), e o Sanfona e Realejo (3M), com o gaitista Rildo Hora, ganhando o Prêmio Sharp de Música.
Em 1985, escreve sua primeira peça sinfônica, o Concerto Sinfônico Para Asa Branca, para uma apresentação com a Orquestra Sinfônica do Recife, no Teatro Santa Izabel. Durante anos aprimora-se nessa escrita, criando, arranjando e orquestrando sete peças sinfônicas. Com este repertório, faz vários concertos com as grandes orquestras do Brasil, sob a regência de magníficos maestros, grava com as Orquestras Sinfônicas da Paraíba, do Rio Grande do Norte, de Copenhagen (para uma rádio da Escandinávia) e chega ao CD Sivuca Sinfônico (2005) com a Orquestra Sinfônica do Recife, sob a regência do Maestro Osman Gioia.
Continua a apresentar-se nos palcos europeus, ora com seu grupo brasileiro, ora com big bands e artistas locais, realizando freqüentes temporadas em teatros, clubes de jazz, concertos ao ar livre, universidades e grandes festivais, além de aparições em inúmeros programas de TV. Do trabalho dessa época na Europa, também resultam vários discos (1985/1987) gravados no Rio de Janeiro e Stokholm, entre eles o Som Brasil, mais o Let´s Vamos com Guitars Unlimited, dos suecos Ulf Wakenius e Peter Almqvist. Encerra este projeto com o disco/vídeo Chico´s Bar com Toots Thielemans. Todos pela gravadora sueca Sonet.
Pelas mãos da Kuarup, lança em 1992 o CD Pau Doido com a banda e o repertório da turnê européia daquele ano, conquistando um outro Prêmio Sharp. Ainda pela Kuarup, grava o CD Enfim Solo, de 1997, tocando piano, violão e sanfona.
Ainda em Paris, 1994, inaugura o Teatro da Cité de la Musique e reinaugura o Teatro Desjazet (espaço usado pelos anarquistas na década de 30).
Em 1999 recebe o honroso título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba.
Inicia em 2003 os arranjos para quinteto de cordas e grava o CD Sivuca e Quinteto Uirapuru, lançado em 2004 pela Kuarup, ganhador de um Prêmio Tim de Música. Neste mesmo ano, o CD Cada Um Belisca Um Pouco, com Dominguinhos e Osvaldinho, é editado pela Biscoito Fino, e lhe é concedido outro Prêmio Tim, mais uma indicação ao Grammy. Em 2006, com Sivuca Sinfônico (Biscoito Fino), ganha mais um Prêmio Tim, como melhor arranjador.
Entre 2004/05 faz os arranjos e realiza a gravação do CD Terra Esperança, (Kuarup) e do DVD O Poeta do Som (Kuarup), convidando onze grupos da Paraíba, de formações distintas: camerata, quinteto de cordas, big band, sexteto de trombone, quinteto de sopro, quarteto de sax, quinteto de metais, grupo de jazz, de choro e de forró pé de serra. Mais a marcante presença da compositora Glória Gadelha e da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Importantes registros que comprovam a polivalência, o talento e a sensibilidade deste profundo músico popular/erudito, que transita pela natureza de todos os instrumentos e modalidades musicais, do clássico ao forró, passando pelo jazz, com a naturalidade e a consciência de um verdadeiro Mestre.
Seu falecimento em 15 de dezembro de 2006, em plena atividade criativa, deixou muitas saudades. Como disse o cantador Xangai:
- De Sivuca gravei Reunião de Tristeza, com o Quinteto da Paraiba. Pois hoje todos os brasileiros musicais devem estar juntos em uma enorme Reunião de Saudade.Vamos trocar de sentimento. Ele nao deixou tristeza. Deixou música. Deixou saudade.
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